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Brasil

Campos Neto vê peso da ‘incerteza fiscal’ no cenário econômico e diz que BC pode reagir

Por Alexandro Martello, g1

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, discursa durante cerimonia de sanção da Lei da Autonomia do Banco Central

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quarta-feira (23) que a “incerteza fiscal” representa um “peso importante” no cenário econômico do país.

Ele afirmou ainda que, se a situação fiscal piorar, o BC pode reagir. Isso significa que a instituição pode atuar por meio da taxa de juros da economia (elevá-la, mantê-la alta por mais tempo ou baixá-la menos), instrumento que o Banco Central tem para controlar efeitos adversos de uma expansão fiscal, como o aumento da inflação.

“O que a gente tem vivido é um mar de incerteza há bastante tempo […] E a gente tem uma incerteza grande em relação à inflação, que eu acho que agora começa a passar por um ponto de inflexão [queda]. Tem uma incerteza ainda grande em relação ao efeito, a parte de crescimento [da economia]. Mas tem uma incerteza fiscal hoje que passa a fazer um peso importante”, disse Campos Neto durante uma palestra.

Setores econômicos vêm alegando nos últimos dias que a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Transição pode afetar a estabilidade fiscal. A medida prevê tirar da regra do teto de gastos toda a despesa com o Bolsa Família, valor que deve ser de R$ 175 bilhões em 2023.

O governo eleito afirma que a iniciativa é essencial para garantir condições básicas de vida para as parcelas mais pobres da população e que os gastos extras não vão desequilibrar as contas públicas.

Ao se referir à PEC, Campos Neto disse que não fará comentários sobre especulações. Ele afirmou que é preciso aguardar o texto que será de fato aprovado.

“É importante a gente ver o que que vai sair, o que significa isso em termos de trajetória de dívida, e obviamente faz parte da função do Banco Central reagir”, declarou.

Juros

A maior missão do BC é controlar a inflação e, para isso, se utiliza do seu principal instrumento, a taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano — o maior patamar em seis anos.

Para definir o nível dos juros, o Banco Central se baseia no sistema de metas de inflação. Quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic. Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o Banco Central pode reduzir o juro básico da economia.

Sem o anúncio, até o momento, de medidas de compensação para essa alta de despesas do pacote de ajuda à população carente, e de uma nova regra para o controle das contas públicas (no lugar do teto de gastos), o mercado financeiro tem reagido.

Os juros futuros voltam a disparar no pregão desta quarta-feira, diante da persistência das incertezas relacionadas à PEC da Transição. Como servem de referência para os bancos, já impactam o financiamento ao setor produtivo.

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