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Com invasão de estrangeiros, preço dos hotéis em Portugal sobe 100% em dois anos

Foi o maior aumento registrado entre países da União Europeia desde 2021, quando teve início no mundo o processo de reabertura pós-pandemia

Em meio à sua luta contra uma das maiores inflações das últimas décadas, como acontece em boa parte do resto do mundo, Portugal tem visto despontar um inimigo especialmente cruel para os preços: o turismo.

Os serviços ligados ao turismo estão entre os que mais sobem e os grandes responsáveis pela inflação alta do país, e, embora estejam sendo puxados por uma onda crescente de viajantes estrangeiros, podem acabar implicando em reajustes recordes nos aluguéis de quem mora lá — já que o índice oficial de inflação é a referência para a correção anual dos contratos.

Buscado principalmente por turistas de outros lugares da Europa e dos Estados Unidos, para quem o pequeno país ibérico ainda é barato, os valores das diárias de hotéis, pousadas e outros locais de estadia em Portugal mais que dobraram nos últimos dois anos.

Foi o maior aumento para o setor em toda a União Europeia, de acordo com a Eurostat, a agência de estatísticas do bloco.

Desde o começo de 2021, quando teve início o processo de reabertura dos serviços pós-pandemia, até julho deste ano, os preços médios dos hotéis de Portugal subiram 103%.

Na Espanha, a alta no mesmo período foi de 91%, na Itália subiu 55% e, na Grécia, 49%.

10% só em agosto

Só em agosto, mês de verão e da alta temporada do hemisfério Norte, o valor das diárias para se hospedar em Portugal subiu mais 10,6%, de acordo com os dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), o indicador oficial de inflação, divulgado na terça-feira (12), pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

A hotelaria teve uma das maiores altas do mês — quase empatada com os azeites (10,6%) e o diesel (10,5%), principal combustível dos carros do país  — e respondeu, sozinha, por metade de toda a inflação de agosto, que foi de 0,32%.

Na comparação com agosto do ano passado, os preços dos serviços de alojamento, grupo em que entram os hotéis e pousadas, ficaram 18% mais caros, o que a ajuda a puxar a inflação geral para cima também.

Em 12 meses, pela metodologia portuguesa, que é diferente da usada no Brasil, a inflação total de Portugal acumula 6,8%. A conta é feita considerando a média das variações dos últimos 12 meses.

Aumento recorde no aluguel

Embora os preços em alta na rota turístico reflitam principalmente o consumo dos visitantes de fora, e não dos próprios portugueses, eles acabam tendo um impacto na vida doméstica, já que é o IPC o índice usado para reajustar anualmente os alugueis.

Em Portugal, todos os alugueis são reajustados anualmente pelo mesmo índice, que é sempre o IPC em 12 meses até agosto do ano anterior, descontado das variações de habitação.

A conta é feita pelo próprio INE e é por isso que a divulgação de agosto era especialmente aguardada pelos portugueses.

Com os dados do mês fechado, o instituto de estatística confirmou que, em 2024, o índice de reajuste dos aluguéis portugueses será de 6,94% — a maior taxa de correção em 30 anos.

Recorde de reservas e invasão estrangeira

Em agosto, as reservas de hotéis em Portugal bateram recorde, de acordo com dados do World Hotel Index da plataforma SiteMinder, e 80% delas eram de turistas estrangeiros.

O aumento na procura foi de 23% na comparação com os níveis de 2019, pré-pandemia, quando o número reservas na hotelaria portuguesa tinha batido seu recorde anterior.

É normal, em um continente adensado e amplamente integrado como a Europa, que a parcela de estrangeiros nos movimentados mercados de turismo local seja alta.

Ainda assim, a parcela de hóspedes de fora em Portugal passou a de vizinhos como Itália (77%), França (62%) e Espanha (56%).

De acordo com especialistas do setor consultados pela CNN Portugal, o fenômeno acontece, de um lado, por conta do estouro da demanda represada por viagens depois dos anos de pandemia em que as pessoas ficaram fechadas em casa.

Por outro lado, pesou, para Portugal, o fato de que o país era ainda um dos mais baratos da região, com preços de estadias que estavam bastante defasados em relação ao de outros europeus de seu entorno, como França, Itália ou mesmo a vizinha Espanha.

Com a disparada da inflação em todo o mundo, as pechinchas portuguesas ajudaram a atrair aqueles que saíram de seus lockdowns em busca de um lugar razoavelmente em conta para gastar as suas reservas acumuladas.

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