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Como três ex-secretários do Tesouro reagiram ao rebaixamento da nota de crédito dos EUA

Apesar da economia norte-americana ser resiliente, formuladores de políticas precisam ter uma visão a longo prazo sobre os desafios fiscais do país, disseram à CNN

No dia 1º de agosto, a Fitch Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, rebaixou a nota de crédito dos Estados Unidos de AAA, a mais alta disponível, para um AA+.

O rebaixamento, segundo a empresa, veio por conta da “erosão da governança, impasses e resoluções de última hora.”

No domingo (6) três ex-secretários do Tesouro dos Estados Unidos falaram à CNN sobre a atual situação fiscal do país e avaliaram os obstáculos que precisarão ser enfrentados.

“É uma pena (o rebaixamento) ter ocorrido logo após termos um (acordo) bipartidário para lidar com o limite da dívida”, disse Henry Paulson, que chefiou o Departamento do Tesouro no governo de George W. Bush. “É um alerta muito importante.”

O rebaixamento ocorreu após o Senado norte-americano aprovar um projeto de lei em junho que suspendeu o teto da dívida dos EUA até o início de 2025. O acordo foi fechado após meses de impasse no Capitólio que ameaçou levar o país à inadimplência, destacando a improdutividade temerária que pauta as negociações no Congresso sobre a dívida. Economistas dos Estados Unidos questionaram o rebaixamento da Fitch apresentando os indicadores positivos mais recentes. A inflação chegou ao seu ponto mais baixo num período de dois anos, e é cada vez mais provável que a economia passe por um “pouso suave”, do que caia em uma recessão. “A decisão da Fitch é intrigante à luz da força econômica que vemos nos Estados Unidos. Discordo totalmente da decisão da Fitch e acredito que seja totalmente injustificada”, disse a secretária do Tesouro, Janet Yellen, na última quarta-feira (2).

Dívida de longo prazo preocupa

Paulson disse que a dívida não é uma preocupação imediata. “É um grande problema a longo prazo”, disse Paulson. “Não há exemplo na história de qualquer grande potência continuando a ser uma potência quando perde sua força fiscal.”

Timothy Geithner reconheceu que o país continua enfrentando desafios fiscais de longo prazo.

“Em última análise, (a dívida é) um julgamento sobre a capacidade do sistema político de um país”, disse Geithner, que atuou como secretário do Tesouro durante a Grande Recessão e quando a Standard & Poor’s rebaixou o crédito do país em 2011 de AAA para AA+, o único rebaixamento na história dos EUA antes do atual.

“O mundo olha para o nosso sistema político hoje e se pergunta: ‘Será que o país será capaz de encontrar a vontade de se unir e fazer isso de maneira sensata?’”, acrescentou.

Geithner acha que “parte do problema é que ainda parece remoto e além do horizonte. E, como qualquer sistema político, o desafio é tentar fazer com que as pessoas focarem em algo que parece meio distante.”

Robert Rubin, que foi secretário do Tesouro de Bill Clinton, disse à CNN que embora os Estados Unidos sejam “de longe [o país] melhor posicionado na economia global”, a força da economia depende da suposição “de que acabaremos enfrentando nossos desafios políticos, não [necessariamente] muito bem, mas pelo menos razoavelmente bem”.

Contudo, Rubin ainda aposta na volta por cima. “E mesmo que tenhamos problemas tremendos em nosso sistema, acho que com o tempo teremos [uma solução].”

Tensão com a China

Um desafio político no cenário mundial é a relação econômica dos Estados Unidos com a China, que vai e volta entre o protecionismo e o nacionalismo, segundo Paulson e Geithner. As duas maiores economias do mundo têm uma relação tensa há anos.

A nova lei de contra-espionagem de Pequim, bem como a repressão chinesa contra empresas ocidentais de consultoria e diligência, revoltaram o mercado norte-americano. Enquanto isso, segundo relatos, o governo Biden está preparando novas regras que podem restringir o investimento em certos setores na China.

Quando questionado sobre as tarifas impostas pelos EUA à segunda maior economia do mundo, Paulson disse que “estamos trabalhando para estreitar os mercados ao mesmo tempo em que a China está fazendo negócios globais com cada vez mais empresas”.

“A China é um grande concorrente”, acrescentou. “Se sequestrarmos muita tecnologia, o que estamos fazendo é essencialmente isolar as empresas americanas da economia global. Acho que perderemos muito se as empresas americanas não liderarem [nos mercados] mundialmente.”

FONTE: Eva Rothenberg da CNN

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