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Entenda a importância do Carnaval para a cultura e economia do país, após filósofo associar festa à Aids

Especialista considera que festa está “no cerne da identidade brasileira”. Publicações antigas mostram que Rafael Nogueira, que aceitou presidência da Fundação Catarinense de Cultura, já associou Carnaval a doenças sexualmente transmissíveis.

Por Sofia Mayer, g1 SC

Após repercussão na internet de publicações em que o filósofo Rafael Nogueira, convidado para assumir a presidência da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), associava o Carnaval a doenças como sífilis e Aids, especialistas destacaram a importância econômica e cultural das festividades no país. O evento é a maior festa popular do Brasil.

Ouvida pelo g1 SC, a professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Cristiana de Azevedo Tramonte explicou que o Carnaval está “no cerne da identidade brasileira” (veja mais abaixo).

Na mesma linha, o professor de Turismo, Hotelaria e Eventos no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) Vinícius de Luca destaca que as festividades são importantes para movimentar a economia, mas que “investimento no Carnaval também é investimento em cultura”.

A expectativa é que 66.921 passageiros aéreos cheguem a Santa Catarina, pelos principais aeroportos do estado, durante o Carnaval de 2023, segundo a Agência de Desenvolvimento do Turismo de Santa Catarina (Santur).

O número corresponde a um aumento de 61% em relação ao Carnaval de 2020, o último antes da pandemia da Covid-19.

Identidade brasileira

A professora Cristiana de Azevedo Tramonte, que estuda, entre outras temáticas, a antropologia das populações afro-brasileiras, diz que o “Carnaval está no cerne da identidade nacional”. Para ela, a festa das escolas de samba é “o principal marco identitário do país”.

“O carnaval faz parte da construção da memória, do incentivo à cultura brasileira e do incentivo à organização popular”, explica. Ela destaca que os enredos de samba, por exemplo, são ricos em dados da história brasileira.

De acordo com a pesquisadora, a festa também mostra o comprometimento e organização dos brasileiros.

“Ao contrário do que geralmente se fala do povo brasileiro, que é um povo um pouco disperso e com dificuldade de organização, o carnaval prova que é o contrário”, explica.

“Nossa população, historicamente a mais pobre e geralmente de origem afro-brasileira, demonstra [no Carnaval] a sua capacidade organizativa e a sua capacidade de fazer arte da melhor qualidade, de construir enredos elaborados, sofisticados”, detalha a especialista.

Nos desfiles da festa, por exemplo, nove quesitos são julgados com notas que variam de nove a dez, com uma casa decimal.

Professor do curso de Turismo, Hotelaria e Eventos no IFSC, Vinícius de Luca detalha que o evento movimenta a economia, mas destaca que investimento no Carnaval “é também investimento em cultura”.

Berbigão do Boca abre as festividades do carnaval em Florianópolis — Foto: Diorgenes Pandini/NSC

Berbigão do Boca abre as festividades do carnaval em Florianópolis — Foto: Diorgenes Pandini/NSC

Trabalho além da festa

Cristiana lembra que o Carnaval é fonte de renda importante para as comunidades que se organizam em torno das festividades.

“Toda a dinâmica do Carnaval é uma fonte de renda para as populações que se dedicam, durante vários meses [para o planejamento da festa]. Também quando apresentam o produto turístico, que é o desfile, elas atraem o turismo”, explica.

Turismo

Dados da Santur confirmam que o Carnaval é um aliado do turismo. Segundo o órgão, a taxa média de ocupação hoteleira durante as festividades deve chegar em 74% neste ano. O número considera o período da sexta-feira antes da festa até a terça-feira seguinte.

Para especialistas, esse é apenas um dos motivos pelos quais a festa deve ser incentivada pelo poder público.

“O povo também tem necessidades culturais, educacionais e espirituais. O Carnaval, principalmente aquele de escolas de samba, que traz um enredo rico em dados da história e da cultura, […] reúne tudo isso”, defende Cristina.

Professor Vinícius de Luca complementa que estados e municípios precisam, inclusive, se planejar e receber bem os foliões – sejam turistas ou moradores.

“Impacta na mobilidade, na segurança, no conforto, entre outros, que moldarão a qualidade final da experiência”, contextualiza.

“Ao lado do réveillon, é o principal período em termos de movimentação econômica [em Santa Catarina]. Taxa de ocupação altíssima nos meios de hospedagem, assim como em restaurantes e bares”, diz.

Polêmica

Convidado para o cargo de presidência na Fundação Catarinense de Cultura (FCC), publicações antigas de Rafael Nogueira sobre o Carnaval voltaram a repercutir na web na quinta-feira (2).

Os comentários foram feitos ainda em 2018, nas redes sociais, quando o filósofo olavista associou o Carnaval a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.

“Aí começa o Carnaval e vai todo mundo correndo, com igual ou maior desespero, trocar fluídos e pega herpes, gonorreia, sífilis, Aids”, escreveu no Twitter.

Questionado pelo g1 SC, Rafael Nogueira disse apenas que a festa é importante para a economia brasileira e destacou que “Santa Catarina terá festas memoráveis”.

Comentário associa Carnaval à transmissão de sífilis e Aids — Foto: Rede sociais/ Reprodução

Comentário associa Carnaval à transmissão de sífilis e Aids — Foto: Rede sociais/ Reprodução

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