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Onde investir em 2023? Confira as recomendações dos especialistas da EQI

“Mar calmo nunca fez bom marinheiro”. O ditado popular cabe perfeitamente para resumir o que os investidores devem esperar do próximo ano. Se você quer descobrir onde investir em 2023, continue a leitura.  

No radar, há muitas incertezas, mas também muitas oportunidades. E se bem informado e bem assessorado, o investidor poderá atravessar tranquilamente por mais um ano adverso. 

Cenário no exterior

O investidor deve ficar atento às movimentações quanto aos juros e ao crescimento econômico nas principais potências. 

Isto porque o andamento do aperto monetário global vai esfriar a atividade e pode impactar diretamente o Brasil, seja em relação às exportações, seja pela necessidade de mais aperto econômico por aqui, dado o impacto no câmbio e, consequentemente, na inflação brasileira. 

O cenário externo é de inflação recorde e os bancos centrais devem continuar com o aperto monetário. A atual política de enxugamento de liquidez se dá após medidas extremas de incentivo adotadas durante a pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021. 

No entanto, alguns bancos centrais, especialmente o Federal Reserve (Fed), banco central americano, já começam a sinalizar uma disposição em reduzir o ritmo de altas. Ainda é incerto, porém, quando poderia começar um ciclo de queda de juros. 

A probabilidade de recessão é crescente, especialmente na Europa e nos EUA.

“Apesar da recessão ser uma notícia ruim, como lado positivo, ela é um indicativo de que a inflação pode desacelerar. Dessa forma, os bancos centrais poderão reduzir os juros, assim que for possível ver os efeitos dessas políticas monetárias mais apertadas”, aponta o economista-chefe da EQI Asset, Stephan Kautz.

A China é outro fator importante que pode impulsionar ou derrubar o crescimento global daqui para frente. Por lá, são grandes as expectativas de relaxamento na política de Covid-zero, o que pode favorecer as commodities.

Cenário no Brasil

O Brasil saiu na frente na escalada dos juros pós-afrouxamento monetário devido à pandemia. 

A Selic, taxa básica de juros, foi do piso histórico de 2% para 13,75%, em um espaço de tempo entre março de 2021 a outubro de 2022.

gráfico com evolução da Selic
Selic. Fonte: EQI

E, ao contrário do restante do mundo, o país tem o Produto Interno Bruto (PIB) de 2023 sendo constantemente revisado para cima.

Segundo a última divulgação do Focus, a projeção é de 2,80%. Para a EQI Asset, é de 3%. 

Segundo Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, o setor de serviços é o que vem puxando as projeções do PIB para cima. 

Na última Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada pelo IBGE, o setor teve alta de 0,9% em setembro, acima da expectativa de alta de 0,4%.

Este foi o quinto resultado positivo seguido e, com isso, o setor fica 11,8% acima do nível pré-pandemia e alcança o patamar mais elevado da série histórica, iniciada em 2011, superando novembro de 2014. 

“O resultado é forte e reflete a abertura da economia e os auxílios pagos à população”, diz.

Por conta dos últimos dados de serviços, inclusive, a gestora revisou para cima sua projeção para o PIB de 2023: de 2,7% para 3%. 

A projeção para um início de ciclo de queda de juros no Brasil é, até aqui (novembro de 2022, quando este e-book foi escrito), junho de 2023. No entanto, o novo desenho político do país pode alterar as projeções. 

O Brasil é a bola da vez?

Apesar de um cenário conturbado externa e internamente, o Brasil vem sendo apontado como “a bola da vez” para 2023. 

“O Brasil está melhor que outros países no que diz respeito ao crescimento e à inflação. Isso mostra que políticas econômicas, como a subida da taxa Selic iniciada em março de 2021 surtiram efeito”, avalia Denys Wiese, head de renda fixa da EQI Investimentos.

Para ele, o Brasil tende a atrair capital estrangeiro a partir daqui, basicamente porque o restante do mundo, demais emergentes incluídos, estão em situação pior. 

“O Brasil está ganhando esse jogo por ‘W.O.’, como o mundo inteiro está ruim, quem está ‘menos pior’ se destaca”, avalia. 

Na percepção dele, desde o governo de Michel Temer o Brasil vem tendo impactos favoráveis em medidas que envolveram reformas políticas e econômicas, que se tornam a receita quase perfeita para ser escolhido entre os países emergentes para receber recursos. 

“O Brasil tem mercado e grande diversidade de ativos, o que permite receber uma quantia abundante de investimentos”.

Wiese também analisa como outro fator economicamente positivo a pandemia, que trouxe um cenário de desglobalização, que cria gatilhos positivos para o Brasil. 

“O fechamento das cadeias logísticas elevou a incerteza sobre a produção das empresas, que agora procuram fornecedores mais perto. Nesse sentido, a América do Sul se torna bastante atrativa para os EUA”, avalia.

Brasil é destaque entre os emergentes

O economista Ricardo Amorim, um dos maiores influenciadores em educação financeira do país, participou da Money Week da EQI Investimentos, e analisou que o Brasil tem uma posição privilegiada no cenário geopolítico entre os emergentes.

Na avaliação dele, cinco países estão no mesmo patamar que o Brasil: China, Rússia, Índia e Indonésia. Ainda que existam mais de 100 países nesta categoria, mas somente esses têm o mesmo potencial que o Brasil.

“A Rússia está envolvida em guerra. A China, com os lockdowns. Índia e Indonésia têm problemas internos. O Brasil, com uma inflação baixa, juros reais altos, salários médios baratos e com tendência de crescimento, é o país mais interessante para investir em 2023 entre os emergentes”, afirma. 

“Há chances de o Brasil ter um desempenho muito melhor do que o previsto, mas é possível ter chacoalhadas durante o meio do caminho”, conclui. 

O fator Lula e onde investir em 2023

Na eleição mais apertada desde a democratização, Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente, com pouco mais de 2 milhões de votos à frente de Jair Bolsonaro.

Após o pleito, o mercado apostava em um terceiro governo Lula de coalizão, mais ao Centro. Tanto que, na segunda-feira imediatamente posterior à eleição, dia 3 de novembro, a bolsa subiu e o dólar recuou. 

No entanto, nas semanas seguintes, falas do presidente eleito e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) apresentada para abrigar o Bolsa Família fora do teto de gastos, acenderam o alerta da responsabilidade fiscal. 

O mercado agora se encontra temeroso diante do risco fiscal – que envolve a possibilidade do governo não conseguir honrar com seu planejamento financeiro. 

“Vimos o mercado reagindo, com queda na bolsa e dólar em alta. Esse é o típico cenário de estresse”, aponta Denys Wiese. 

“Com o novo governo, esperamos no longo prazo maiores gastos, mais inflação e juros estruturais mais elevados”, resume.Contudo, ele aponta alguns aspectos que podem funcionar como um “freio” aos gastos excessivos: a composição de um Congresso mais de Centro-Direita, a autonomia do Banco Central, a possibilidade de nomeação de um ministro da Fazenda bem aceito pelo mercado, e a imagem externa mais favorável do Brasil – dado que Lula é mais bem aceito na questão ambiental que seu antecessor.

Onde investir em 2023: mais um ano de renda fixa?

Segundo Denys Wiese, head de renda fixa da EQI, diante do cenário macroeconômico e das primeiras sinalizações do novo governo, a renda fixa deve se manter em destaque em 2023. 

“Fica cada vez mais distante o momento de ir para a renda variável”, ele afirma. 

Isso porque, com a expectativa de queda de juros a partir de junho, ações, fundos imobiliários e criptomoedas poderiam se beneficiar a partir deste momento. 

No entanto, agora, as expectativas são de Selic no patamar de 13,75% ainda por mais tempo do que junho de 2023, ou até Selic mais alta do que isso. 

“O governo, dessa forma, acaba por ajudar os rentistas”, afirma Wiese, já que neste cenário a renda fixa segue remunerando 1% ao mês no mínimo.

Janela de oportunidade estendida dos juros altos

Wiese sinaliza que os investidores devem ficar atentos justamente a esta janela de oportunidade estendida dos juros altos. 

“As taxas dos títulos públicos, especialmente os mais longos, estão subindo. Assim como os papéis atrelados ao CDI e os CDBs pré-fixados também são boas oportunidades”, aponta.  

Os títulos prefixados contam com juros estressados atualmente e, por isso, também estão rendendo bem, ele diz. 

Mas toda escolha de investimento, alerta Wiese, deve estar de acordo com o perfil do investidor. Além disso, é preciso manter uma correta diversificação, para garantir que, seja qual for o cenário, o patrimônio esteja protegido.

Confira, abaixo, a recomendação de carteira da EQI: 

Carteira recomendada de acordo com perfil de investidor

Carteira recomendada EQI
Carteira recomendada EQI, segundo perfil de investidor. Fonte: EQI

Onde investir em 2023: quando começar a olhar para a renda variável?

Para investimentos na renda variável, a EQI segue com recomendação conservadora. 

“O mercado de renda variável deve começar a andar quando os juros longos começarem a cair”, aponta Denys Wiese. 

No entanto, afirma Luís Moran, head da EQI Research, o mercado de renda variável deve antecipar a queda dos juros. “Se ficar claro que há condições para que os juros comecem a cair, com inflação em queda e tendendo à meta, as ações vão reagir”, afirma.

Por enquanto, dadas as incertezas do ambiente, o foco deve ser na seleção de ações de empresas com capacidade de geração de caixa resilientes e capacidade de repassar aumentos de custos.

Quais ações podem ser favorecidas com o novo governo?

Diante do novo cenário político-econômico do Brasil, quais ações tendem a ser favorecidas? 

Se as expectativas se confirmarem, as empresas expostas ao mercado doméstico estarão em posição relativamente melhor, com crescimento da economia, juros em queda e expansão do crédito. Neste ambiente, os casos relacionados ao consumo, como o varejo, devem se beneficiar. Ao mesmo tempo, produtoras de commodities devem continuar enfrentando um ambiente externo mais difícil.

Algumas empresas estatais controladas por governos estaduais podem ser beneficiadas por movimentos de privatização, o que não deve acontecer com as grandes estatais federais. 

“Como sempre, a seleção dos casos é fundamental. Os riscos relacionados com casos de investimentos que dependem principalmente de uma ação governamental são normalmente muito elevados. Por exemplo, investir no setor educacional apenas porque na última gestão petista as empresas foram beneficiadas por crédito farto, pode ser perigoso, pois as condições são diferentes”, afirma Moran.

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